domingo, 9 de abril de 2017

Sobre Os Meus Porquês



É porque você gosta de coisas idiotas. Porque você não tem vergonha de cantar música de desenho – por pior que ela seja. É porque você não liga de ainda ver desenho, mesmo sendo adulto. Porque seus olhos se fecham toda vez que você ri, e você fica com cara de menino, cara de quem ainda se diverte com coisas de crianças – e é tão lindo.

É porque você me escuta, mesmo quando estou em silêncio. Por aquele dia que você me rodou no meio da praça, sem medo de me deixar cair. É porque você não tem medo de me falar que estou errada, mesmo sabendo do espírito teimoso que tem dentro de mim. É porque toda vez que me descontrolo você me segura e aperta forte e não me deixa ir para longe de você.

É porque você sonha alto – e quer me ver voando também. Mas não fica chateado por eu decidir dormir só mais um pouquinho antes de ir com você. Porque você não me prende, não me sufoca, não quer que eu me encaixe por completo no seu mundo – você gosta é do meu transbordamento, e eu amo isso em você.

É porque você adora dizer que homem não chora, mas sempre desaba no meu colo. Porque você chorou ontem em silêncio enquanto tentava me fazer sorrir. Porque você tá sempre tentando me fazer sorrir, pintando arco-íris ao iluminar como sol a tempestade que enfrento.

É porque você tem medo de me perder, mas não me prende em você. Porque entende que as vezes eu preciso ficar sozinha, mas não esquece de mandar mensagem só para falar que ainda está aqui quando voltar a precisar. É que você entende coisas em mim que nem eu mesmo entendo.

É que você sempre repensa o que falou quando te olho daquele jeito que você ama, odeia, odeia amar e ama odiar. É porque você não abre mão tão fácil do seu posicionamento, mas mesmo assim não foge da discussão quando ela acontece. É porque você nunca foge – e é seu permanecer que me faz querer ficar ainda mais em você.

É que você tem a altura perfeita para o encaixe do meu rosto em seu ombro. É que você tem o melhor abraço do mundo e eu adoro me afundar em seu peito, sabendo que você jamais me afogaria em você. É que seu gosto musical é horrível, sua voz é horrível, mas tu é um puta músico e eu só consigo pensar nas rimas e harmonia que você encontrou na minha vida.

É porque é questão de física nosso encontro, é química, é uma equação que deu um resultado tão bonito, e nem sempre certo. É porque você é da matemática, e eu gosto mesmo é de amontoar letras para dizer, de tantas formas diferentes, que te amo. É isso – é porque eu te amo, e precisava te dizer só mais uma vez, para você nunca esquecer.



segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Sobre metas e expectativas para o próximo ano





Novembro está terminando e, entre pinheiros e o bom velhinho, as decorações natalinas ganham espaço nas casas e vitrines da cidade.  As conversas à mesa de jantar são sobre onde será a ceia de natal em família desse ano, ao mesmo tempo em que você, secretamente, faz planos para o réveillon com os amigos. 

Dezembro bate em sua porta, trazendo consigo ambições e planos para 2017. De repente, você se dá conta de que aquela listinha de objetivos e sonhos para 2016 foi abandonada em uma gaveta qualquer.

Sonhos, desejos, paixões e esperanças ficaram perdidos no meio do caos. Alguns pela pressa, outros pela falta de oportunidade ou medo. E mais uma vez, abandonamos tudo para o próximo ano e acabamos nos tornando verdadeiros clichês. 

Mas ainda há tempo. Envie aquela mensagem, volte a falar com aquele amigo, saia para festejar, inicie sua dieta ou aprenda a andar de bicicleta. Não importa o que seja. Apenas faça agora aquilo que você desejou para esse ano e ainda não concretizou. Não é preciso esperar um novo ano começar para fazer o que deseja.

2016 está terminando e é normal traçarmos novas metas e criarmos expectativas sobre o ano que virá. Mas quer um conselho? Não idealize 2017, somente aproveite intensamente esses dias restantes. 

domingo, 21 de agosto de 2016

Amor Também É Saber a Hora de Ir Embora

Fomos criados achando que amor é o único destino da nossa vida, que, a partir do instante em que o encontramos, não podemos desistir nunca. Amor é ficar, amor é permanecer, amor é se agarrar na mureta enquanto a tempestade alaga a sua volta e a correnteza tenta te carregar. Se a pessoa vai embora é porque nunca, nunquinha mesmo, foi amor.

Será mesmo?

Eu vou na contracorrente. Eu acredito mesmo que o amor é nosso destino, mas não só o único. Também acredito que quando a gente encontra, temos sim que fazer o que pudermos – mas desde que isso não esteja acabando com a gente. Sabe? Amor é libertação. É ter alguém do nosso lado que vai nos somar, nos tornar melhores, nos levar para cada vez mais longe. Alguém que nos entenda e que perdoe nossos surtos, vezenquando, nossas fraquezas, as neuroses de cada dia. Amar é mais do que apenas ficar, como um fantasma que não se desapega do lugar que um dia morou – é estar lá, ao seu lado, pra tudo e contra todos.

Amor tem é que nos fazer bem, cê me entende? E quando isso deixa de acontecer, quando a rotina fica insuportável, quando as lágrimas são mais poderosas que os sorrisos, quando as mentiras ficam gigantes, a indiferença perde o tamanho, e a gente perde de vista aquele projeto de ficar juntos e felizes para sempre até o fim dos dias, não importa que seja amor, não importa que seja o único, não importa tudo de bom que já ocorreu entre vocês. Não tem nada a ver com ingratidão em pegar suas coisas e se mandar, sem fazer muito barulho. Amor também é silêncio. Amor também é sair pela porta.

Quintana, o Mário, meu poeta preferido, resumiu bem o que é amor: quando vira nó é porque já deixou de ser laço. Se vira nó, se machuca, se faz sangrar, se abre cicatrizes que nenhum dos dois tem como curar, se já saiu do controle e você já fez de tudo, por que é que você tem que se sacrificar mais um pouco só porque outras pessoas dizem que amor é ficar?

Desapega dessa ideia. Desapega da insatisfação. Desapega de achar que o amor é só isso. O amor é para transbordar, sabe? Pra alagar tudo a nossa vida e colorir toda parte do nosso dia. Não para nos afogar nas águas turvas da mágoa ou da dor. Desapega de acreditar que temos que ficar para sempre com o grande amor das nossas vidas. Quando vira obrigação é porque já deixou de ser amor. Desapega de achar que você tem que salvar um relacionamento em nome de um sentimento que não tem mais reciprocidade. As vezes, a única forma de salvar o amor é nos salvando no final.

Às vezes é melhor juntar nossas coisas, antes que viramos cacos, e dar tchau, do que ficar em nome de uma história bonita, mas que já acabou. Então, fica aqui com meu conselho: se ficar tá te machucando muito mais do que você pode aguentar, saia pela porta. Porque amor, amor de verdade mesmo, para além dos finais felizes, também é saber a hora de ir embora.






quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Não se cobra, não

Somos uma geração pressionada pelo tempo. Temos urgência para dar o primeiro beijo, encontrar o verdadeiro amor, escolher uma profissão, passar no vestibular, fazer aquela viagem para o exterior, terminar a faculdade, conseguir o primeiro emprego... vivemos nessa urgência do aqui e o agora.

A cada passo percorrido com pressa, distraímos com o que está ao nosso redor e deixamos escapar oportunidades únicas. A cada tic tac do relógio, um aviso de que o tempo passou, enquanto, por cobranças e expectativas impostas pela sociedade, fazemos aquilo que acreditam ser o melhor para nós ao invés daquilo que queremos. 

Abandonamos sonhos e desejos por medo de tentar e fracassar, sem lembrar que os erros também nos ensinam a viver. Criamos expectativas sobre o outro, para que ele realize os nossos sonhos, mas eles só dependem exclusivamente de nós para se tornarem reais. Enquanto isso, o tempo vai passando veloz. 

Todos os dias nos cobramos por aos dezoito anos ainda estarmos morando com os pais ou não ter conseguindo passar naquela faculdade. Somos egoístas e invejamos aquele amigo da infância, que você nem conversa mais, e conseguiu tudo aquilo que sempre sonhou, enquanto você passa noites em claro estudando a matéria de física para o ENEM.

Todos os dias, nos cobramos para sermos o melhor filho e fazer as vontades dos nossos pais. Todos os dias, nos exigimos demais por não sermos o melhor aluno da sala ou um amigo tão presente e com isso, vivemos em favor dos outros do que de nós mesmos.

Mas quer um conselho? Não se cobra assim, não. As suas escolhas só dizem a respeito de si mesmo e mais ninguém. Esqueça o quê os outros irão dizer ou pensar, você não deve satisfação para ninguém. Siga aquele velho clichê, ouça aquela música da Pitty e seja você independente de qualquer coisa. Tenha calma, esqueça o relógio, faça tudo no seu próprio tempo. Se não aconteceu ainda é porque não era o momento certo. 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Gerúndio Do Fim



Nosso amor foi acabando toda vez que você dizia que ia chegar num horário e esquecia do compromisso; em cada ligação que não me atendia e nem se preocupava em retornar depois; nas mensagens que ficaram ali, apenas visualizadas, e nunca respondidas.

Nosso amor foi acabando em cada uma de suas mentiras, cada uma das vezes que você disse que ia fazer uma coisa e fez outra, em cada vez que eu rezava pra todos os santos para que, pelo amor de deus, a última promessa você cumprisse. 

Foi acabando assim, como se acaba as folhas de um caderno cuja capa a gente gostou tanto, mas, de tanto escrever, apagar, rabiscar, jogar de um lado para o outro, as folhas foram ficando encardidas, rasgaram-se pelo caminho, dobraram-se, amassaram-se, findaram-se. 

Foi acabando como acaba o pó de café e a gente só percebe isso quando a água já tá no fogo e o coador já tá na garrafa. Então, abrimos a vasilha e não tem pó. E vasculhamos a casa porque temos certeza de que tínhamos um pacote extra, sem nos lembrar que o pacote extra já foi usado da última vez que não percebemos que acabou.

Agora tá tarde e eu já não tenho mais disposição para ir comprar. Não quero mais trocar de roupa, pentear o cabelo, me arrumar para atravessar a rua e encarar uma nova chance. Já não tenho coragem, nem fé, nem vontade, nem. Sabe? É que nosso amor foi assim, acabando, com uma lentidão que me deu tanta preguiça, cara, mas tanta preguiça que não faz mais sentido eu me mover ou resistir.

E, talvez, sei lá, tivesse ainda algum jeito. Se não fossem as mentiras que você ainda conta, os compromissos que você sempre esquece, a sua falta de jeito de nem perceber que tá tudo tão ruim, cara, mas tão ruim que só quero gritar, esmurrar, chorar até que toda essa solidão de mim vá embora. Mas é que pra você tá tudo tão bem que tô cansada de lutar sozinha. E acho que foi isso, sabe, que eu fui cansando, e cansando e cansando.

E nosso amor foi acabando, acabando, acabando. 

Até que acabou.


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Sobre Tudo Aquilo Que Talvez Você (não) Sabe


Para todas as pessoas com depressão;



Talvez você tenha notado – no olhar sempre desfocado, no ombro caído, nos passos pesados que se arrastam no chão. Talvez você tenha notado – na falta de palavras de quem nunca precisou de muito estímulo para falar, na falta de coragem de sair da cama todos os dias, na falta de sorrisos que sempre distribuí indiscriminadamente por aí.

É que falta, sabe? Aquela minha fé de sempre de que tudo vai melhorar. Aquela esperança boba da criança que cultivei aqui dentro, no cantinho do meu coração, pra me lembrar que tudo vai acabar bem mesmo quando tudo parece desandar. É que eu sempre acreditei em finais felizes, por mais que dissesse que existem outros tipos de finais por aí, mas talvez você tenha notado que já não é mais assim.

De vez em quando a coisa aperta. O coração fica pequeno. O mundo fica enorme. E a gente só quer ficar na nossa cama, num mundo protegido que ninguém pode mais te ferir. Não tem nada de errado em não querer viver, vezenqaundo. Viver é cansativo. Viver é esgotante. Viver é desesperador. E às vezes a gente só quer dar uma pausa, respirar fundo, fechar os olhos, e deixar pra lá. Esses problemas, sabe? Esse cansaço. Esses machucados na nossa alma que ninguém teve culpa. Porque ninguém teve. E talvez seja isso que mais nos desnorteie: a falta da oportunidade de culpar alguém.

E sem ninguém pra culpar, a gente acaba se culpando. Coisa boba, né? Essa nossa necessidade de achar alguém para apontar o dedo e dizer: errou. Tá vendo? Foi bem aqui que você fez merda. Bem nessa esquina. Se tivesse virado pro lado oposto, se tivesse parado, se tivesse tomado apenas um café antes de decidir. Ah, se tivesse. Mas você escolheu errado, cara, e agora é isso que a vida te deu: as consequências de um erro que você nem sabia que podia cometer.

Mas as vezes ninguém tem culpa mesmo. As vezes a gente não controla tudo mesmo. As vezes a vida nos surpreende pra nos mostrar como somos fortes. E as vezes a gente é fraco mesmo. E tudo bem que nos recolhemos, que nos protegemos, que nos afastamos, que choramos. E tudo bem que deixemos doer. É melhor que fingir que não há machucados e deixar inflamar.

Então, talvez você tenha percebido. Que as palavras diminuíram. Que as piadas também. Que o olhar já não brilha. E que talvez a esperança esteja mais comedida. Talvez você tenha notado naquele abraço que me deu. Ou naquela vez que não te respondi. Ou apenas no silêncio das coisas que não disse. Talvez você tenha percebido: na falta de texto, na falta de ligações, na falta de saídas para beber, na minha falta. Ou talvez não.

Talvez você nem tenha reparado. E tudo bem também. Esse não é um texto para te cobrar. É só um texto para me fazer lembrar que do mesmo jeito que tá doendo aqui, pode tá doendo aí. E como aprendi desde nova que as palavras têm poder, tô escrevendo para dizer que eu sei. A vida tá difícil, a dor tá insuportável, o cansaço tá no limite. Mas você não tá sozinho. E se a gente vai juntinho de quem amamos, vamos bem.


terça-feira, 7 de junho de 2016

A última carta

Antes de qualquer coisa queria deixar bem claro para você: eu não te amo mais. Mas ontem, antes de dormir, senti poucos e fracos vestígios de seu perfume ao meu lado, me trazendo por mais um - e último - momento aquela sensação única que era dormir com a sua essência. Talvez saudade, talvez ainda seja viciada em seu aroma.
As noites ficavam tranquilas e doces com ao seu cheiro. Cheguei a te dizer isso? Acredito que não. E por mais que eu fique meses sem sentir, ainda o identifico em qualquer lugar que eu vá. O seu perfume forte, doce, marcante, seu - mesmo que mil outros caras o usem. O seu perfume que por tanto tempo foi meu porto seguro e agora se desfaz em lembranças, nem todas doces, algumas amargas.
A noite tão igual àquelas em que eu aconchegava em seus braços para observar o luar enganaram o meu olfato, trazendo consigo uma sensação inexplicável de proximidade sua, mesmo quando tínhamos que lidar com a distância. E, por mais que tenha acreditado que tudo não tinha passado de um sonho, quando amanheceu, em uma rua qualquer, você apareceu. Sem a menor pretensão e com a maior surpresa.
Não sei se mesmo com o decorrer do tempo estou preparada para esses reencontros repentinos que nos ocorrem. A cada novo encontro não planejado algo diferente aconteceu e já não somos mais as mesmas pessoas. A cada novo encontro estamos mais distantes. Poucas palavras trocadas por causa da emergência do dia a dia. Poucas palavras trocadas por pessoas que já compartilharam experiências de vidas. Poucas palavras trocadas como dois desconhecidos desejando bom dia. Um último olhar, um abraço rápido e sinto seu cheiro ali presente.
Confesso que esse acaso após a noite passada me deixou com uma saudade que não sentia há um tempo. Te olho de relance enquanto tento manter a calma no meio de uma mistura de sentimentos e sensações. Mas olha não te amo mais, só que ainda é complicado lidar com tudo isso, com todas as respostas e explicações que as pessoas ainda insistem em obter. Você aparentemente está bem e sorrio por saber disso. Seria muito egoísmo te desejar algum tipo de dor quando um dia te desejei fazer sorrir.

E agarrada em teu cheiro por uma última vez, resolvi vomitar todos os meus sentimentos que restaram nessa carta e para esclarecer uma coisa: eu não amo mais você, mas por tudo que um dia já senti, eu só desejo que você seja feliz.





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